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sexta-feira, junho 05, 2026

Escrita de Médico. O problema da escrita ilegível.

 

Quando a Escrita Salva Vidas:

Da Escrita Médica à Comunicação Profissional

   

 A escrita legível não é apenas uma questão estética, mas um fator crítico de segurança e qualidade em qualquer profissão. No caso da saúde, erros de medicação decorrentes de prescrições mal interpretadas podem custar milhares de vidas por ano.

 

O problema da escrita ilegível na saúde

·       Estimativa global: cerca de 7.000 mortes anuais estão associadas à má interpretação de prescrições médicas.

·       Relatório da National Academy of Medicine (2006): apontou mais de 1,5 milhão de lesões por ano nos EUA devido a falhas na leitura de receitas.

·       Impacto direto: dosagens incorretas, fornecimento do medicamento errado, atrasos em tratamentos e aumento de riscos para pacientes.

 

O que diz a literatura científica

O artigo da National Center for Biotechnology Information (NCBI) destaca que a comunicação escrita é um dos pilares da prática médica. A falta de clareza em registros clínicos compromete não apenas a segurança do paciente, mas também a eficiência do sistema de saúde.

·       Prontuários eletrônicos: reduzem erros de transcrição e facilitam o acesso a informações precisas.

·       Padronização de prescrições: uso de nomes genéricos e posologia clara diminui ambiguidades.

·       Responsabilidade ética: médicos são orientados a garantir legibilidade como parte do dever profissional.

 

Medidas de prevenção

·       Receitas digitadas ou impressas: eliminam a ambiguidade da caligrafia.

·       Prontuários eletrônicos: sistemas informatizados reduzem falhas de leitura e melhoram a rastreabilidade.

·       Exigência de legibilidade: códigos de ética médica reforçam que prescrições devem ser claras, com nome do princípio ativo e posologia em português.

 

Além da medicina

Embora o exemplo da saúde seja o mais dramático, o problema da escrita ilegível ou confusa se estende a todas as áreas:

·       Jurídico: contratos mal redigidos podem gerar disputas judiciais.

·       Educação: anotações pouco claras dificultam o aprendizado.

·       Empresas: relatórios ambíguos comprometem decisões estratégicas.

 

Importante

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece regras claras e rígidas sobre o preenchimento de receitas médicas para garantir a segurança do paciente. A prescrição deve ser escrita a tinta, em português (vernáculo), de forma totalmente legível e sem abreviaturas que possam gerar dúvidas. Além disso, a receita precisa conter obrigatoriamente a data, a assinatura e o número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina (CRM).  

https://portal.cfm.org.br/noticias/crm-rr-lanca-campanha-letra-legivel/

 

Conclusão

A boa escrita é um ato de responsabilidade. No caso dos médicos, pode literalmente salvar vidas, em outras profissões, evita prejuízos, falhas de comunicação e perda de credibilidade. Em um mundo cada vez mais digital, a clareza na expressão escrita continua sendo uma competência mais do que essencial.



Paulo Sergio de Camargo

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quarta-feira, maio 06, 2026

O Viés da Retrospectiva no Recrutamento e Seleção.

 

Eu Já Sabia Que Não Ia Dar Certo”

O Viés da Retrospectiva no Recrutamento e Seleção

 


Definição do Conceito

O viés da retrospectiva (hindsight bias) é uma distorção cognitiva que ocorre quando, após conhecer o resultado de um evento, acreditamos que ele era mais previsível do que realmente era. Em outras palavras, pensamos: “Eu já sabia que isso ia acontecer”, mesmo que nossas estimativas anteriores fossem diferentes. Esse viés reorganiza nossa memória e percepção, tornando os acontecimentos menos surpreendentes do que deveriam ser. 

Autores que discutem esse fenômeno incluem:

  • Richards J. Heuer Jr., em Psychology of Intelligence Analysis (1999), ao mostrar como analistas superestimam a previsibilidade de eventos passados.
  • Daniel Kahneman, em Thinking, Fast and Slow (2011), ao explicar como o sistema intuitivo da mente cria ilusões de previsibilidade e reduz a percepção de incerteza.

 

Aplicação ao Recrutamento e Seleção

O viés da retrospectiva aparece com força na forma como gestores de RH avaliam processos seletivos após conhecer os resultados:

Exemplo 1

O gerente de RH contrata um candidato para uma posição de liderança.

  • Antes da contratação: o candidato parecia adequado, com bom histórico e desempenho em entrevistas.
  • Depois de alguns meses, o candidato não se adapta e apresenta baixo desempenho.
  • Viés: o gerente pensa “Eu já sabia que ele não ia dar certo, estava claro nas respostas da entrevista”.
  • Problema: reorganização da memória para parecer que o insucesso era previsível, quando na verdade não era. 

Exemplo 2

O candidato inicialmente visto como “mediano” é contratado e se torna um destaque na equipe.

  • Antes da contratação: havia dúvidas sobre sua capacidade de liderança.
  • Depois do sucesso: comentários como “Eu sabia que ele tinha potencial, estava evidente na entrevista”.
  • Viés: superestimação da probabilidade atribuída ao bom desempenho, reconstruindo o passado para parecer coerente.

 

Quando o Viés Pode Ser Negativo

Esse viés pode ser prejudicial em processos de RH:

  • Exemplo: após uma contratação malsucedida, o gerente conclui que “já sabia” que o candidato não era adequado e passa a rejeitar automaticamente perfis semelhantes em futuras seleções.
  • Impacto: decisões precipitadas, perda de talentos e dificuldade em aprender com os erros de forma objetiva.

 

Conclusão

O viés da retrospectiva mostra que, tanto em análises de inteligência quanto em processos de recrutamento e seleção, nossa mente tende a reconstruir o passado para parecer mais previsível. Para especialistas em consciência situacional, compreender esse viés é fundamental:

  • Evita julgamentos distorcidos sobre candidatos.
  • Permite avaliar decisões com base no contexto original, não apenas nos resultados.
  • Favorece o aprendizado real, melhorando a qualidade dos processos seletivos.

 Em suma, reconhecer o viés da retrospectiva é essencial para qualquer profissional de RH que precise interpretar cenários incertos e tomar decisões estratégicas sobre pessoas.



Paulo Sergio de Camargo

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sexta-feira, abril 10, 2026

Vieses na Avaliação Grafológica - Erros mais comuns.

 

Vieses na Avaliação Grafológica

 
 

A avaliação das espécies e dos gêneros é uma etapa crucial na análise grafologia, mas as evidências nas quais os grafólogos confiam e a forma como as interpretam são influenciadas por diversos fatores externos.

Dificilmente uma grafóloga trabalha somente com a escrita. Alguns grafólogos argentinos, por exemplo, fazem análises somente se estiverem presentes na coleta da escrita. (desmontei isto um simples argumento: se o objeto da grafologia é a escrita, necessariamente não precisamos de escritor presente.)

Informações apresentadas nos currículos frequentemente têm um impacto indevido, tanto para mais ou para menos.

Nos contatos pessoais, nas entrevistas muitas vezes formamos de imediato uma imagem do candidato. Esta percepção pode estar errada e quando o grafólogo observa a escrita, a surpresa é grande. Qual dos dois estaria mais certo, a percepção ou a grafologia?


Outro dado que considero relevante: muitas vezes não damos importância capital a ausência de evidências. Ao avaliar lideranças a ausência de evidência deve ser o foco principal da análise. Caso não apareçam gêneros, espécies e sinais ligados a liderança, provavelmente ela não existe. 

Em suma: A grafóloga procura o que não existe para ver se existe, ou vice-versa se você desejar. 

A mente humana é sensível à consistência das evidências e insuficientemente sensível à sua confiabilidade. Finalmente, impressões muitas vezes permanecem mesmo depois que as evidências em que se baseavam foram totalmente desacreditadas. Muitos grafólogos acreditam mais nos currículos do que na escrita. 

Reconhecer e evitar vieses nessas circunstâncias é particularmente difícil. 

A maioria dos vieses discutidos neste texto não está relacionada entre si, pois os vieses cognitivos podem surgir de formas diferentes e independentes, mas todos afetam a maneira como interpretamos e julgamos a escrita.

 

Os principais vieses na avaliação de gêneros e espécies 

  • Impacto indevido das vivências

Detalhes concretos, entrevista, currículos tendem a influenciar mais do que dados grafológicos, mesmo quando estes últimos têm maior valor probatório. 

  • Desconsiderar a ausência de evidência

Muitas vezes não levamos em conta o que não foi observado ou relatado, embora isso possa ser tão significativo quanto a presença de dados.  

  • Sensibilidade excessiva à consistência

A mente humana valoriza demais quando diferentes fontes parecem concordar, mesmo que todas sejam pouco confiáveis. 

  • Sensibilidade insuficiente à confiabilidade

O peso dado às evidências costuma depender mais da coerência interna do que da qualidade ou credibilidade da fonte. 

  • Persistência de impressões

Mesmo quando uma evidência é totalmente desacreditada, a impressão inicial que ela causou tende a permanecer.

 

            Nos próximos artigos estudaremos cada um deles individualmente.


Os principais vieses na avaliação de gêneros e espécies aqui descritos são baseados no livro Psychology of Intelligence Analysis.Richards J. Heuer.


Paulo Sergio de Camargo

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quarta-feira, março 25, 2026

O Paradoxo da Informação: Quando Mais Dados Não Significam Mais Precisão.

 

Inteligência Grafológica


Na maioria das escritas, o problema central não é a escassez de dados (gêneros e espécie etc.), mas sim como os grafólogos pensam e interpretam os dados que já possuem.

Os estudos em psicologia experimental investigam não apenas o quanto de informação os analistas recebem, mas também como isso afeta a qualidade de suas conclusões e, principalmente, o nível de confiança que eles têm nessas conclusões. 

Principais conclusões das pesquisas

Uma vez que a grafóloga experiente possui a quantidade mínima de informação necessária para fazer uma avaliação consistente da escrita, nem sempre procurar informações adicionais geralmente não melhora a precisão da análise. Aqui, muitas vezes, o mais é menos.

Informações adicionais, no entanto, levam o grafólogo a se tornar mais confiante nas avalições, todavia, isto pode resultar até certo ponto no excesso de confiança. 

A experiência mencionada refere-se a um estudo clássico sobre tomada de decisão e julgamento, frequentemente citado pelo psicólogo e Nobel de Economia Daniel Kahneman em seu livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”. 

O objetivo do experimento era comparar a capacidade de previsão de especialistas humanos contra algoritmos simples.

Os avaliadores receberam dados reais (anônimos, de forma que cavalos e corridas específicas não pudessem ser identificados) referentes a 40 corridas passadas e foram convidados a classificar os cinco melhores cavalos em cada corrida na ordem de chegada esperada. Cada avaliador recebeu os dados em incrementos das 5, 10, 20 e 40 variáveis que havia considerado mais úteis. Assim, cada corrida foi prevista quatro vezes, uma vez com cada um dos quatro diferentes níveis de informação. Para cada previsão, cada avaliador atribuiu um valor de 0 a 100 por cento para indicar o grau de confiança na precisão de sua previsão. 

Descrição de alguns dos procedimento e os resultados:

·       O Cenário: Oito experientes avaliadores de cavalos (handicappers) receberam uma lista com 88 variáveis encontradas em um "gráfico de desempenho passado" (a "performance" do cavalo). 

·       A Tarefa: Eles tiveram que prever o resultado de várias corridas com base nessas 88 informações para cada cavalo.

·       O Procedimento: Primeiro, os especialistas classificaram as 88 variáveis e indicaram as mais importantes. Depois, foram apresentados a "gráficos de desempenho" de cavalos simulados (fictícios) para prever as probabilidades de vitória.

·       A "Pegadinha": Os pesquisadores forneceram aos especialistas as mesmas variáveis, mas com diferentes ordens de importância (ou informações menos relevantes primeira) para testar a consistência do julgamento.

 

Resultados:

·       Baixa Consistência: Quando os especialistas recebiam as mesmas informações em ordem diferente, eles davam previsões diferentes para o mesmo cavalo. A confiança deles era alta, mas a consistência era baixa.

·       Algoritmo Vence: Um algoritmo simples, que apenas ponderava algumas variáveis-chave (como o peso carregado ou a última corrida), foi mais preciso e consistente do que a maioria dos especialistas.

 

Conclusão: 

O estudo demonstrou que seres humanos têm dificuldade em processar muitas variáveis simultaneamente de forma consistente, muitas vezes focando demais em informações irrelevantes ou recentes, enquanto algoritmos mantêm o foco na média histórica. 

Esse experimento é usado para mostrar como especialistas acreditam que precisam de muitas variáveis para aumentar a precisão de seus julgamentos, mas na prática, mesmo com mais dados, a precisão não melhora significativamente, apenas a confiança aumenta. 

Isto é emblemático: mostra que mais informação não garante maior precisão, mas sim maior confiança subjetiva — muitas vezes injustificada. Trata-se um exemplo claro de como o excesso de dados pode levar ao excesso de confiança sem melhorar a qualidade da análise. 

Essa experiência serve para ilustrar que, em ambientes complexos e ruidosos (como apostas ou avaliações de alto nível), algoritmos simples geralmente superam especialistas humanos. 


 

Paulo Sergio de Camargo

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segunda-feira, março 23, 2026

Satisficing na Análise de Grafológica - Entre a Eficiência e o Risco 0 Parte II

 

Inteligência Grafológica




“Satisficing” 

Por experiência pessoal e na observação dos alunos, posso dizer que a maior parte das análises é conduzida de maneira muito semelhante ao modo "satisficing" (selecionar a primeira alternativa identificada que pareça “boa o suficiente”).

O grafólogo identifica aquilo que parece ser a intepretação mais provável do gênero ou espécie analisada. Esta avaliação inicial é a que parece ser a mais precisa e que provavelmente irá ser utilizada no perfil grafológico.

Os gênero ou espécie são observados e organizados de acordo de acordo com uma hierárquica de importâncias, inclusive na visualização das DOMINANTES.


A grafóloga cuidadosa fará então uma rápida revisão, retornando a todos as espécies encontradas na escrita. Certamente vai procurar aquelas possam ter sido deixadas de lado. Aqui há de se notar que muitos grafólogos são “apaixonados” por determinados gêneros e espécies, alguns rejeitam de imediato olhar àqueles que não gostam. Como disse uma aluna iniciante: “Odeio a pressão, mas ou apaixonada pela forma.”  Não preciso dizer que ela está errada, mas se faz necessário pontuar que isto é lugar comum para muitos grafólogos. (Não posso e nem devo declarar minhas intrínsecas preferências pelo MOVIMENTO.)

 

Todavia a abordagem “Satisficing  possui três grandes fraquezas:  

Ø  A percepção seletiva que resulta do foco em uma única hipótese.

Ø  A falha em gerar um conjunto completo de hipóteses concorrentes.

Ø  O foco em evidências que confirmam, em vez de refutar, hipóteses.


O “Satisficing” leva a atalhos cognitivos que podem comprometer a objetividade da análise grafológica.

Impacto das três fraquezas do satisficing na análise de inteligência

  1. Percepção seletiva
    • Quando o grafólogo foca em poucas espécies ou observações rasas, tende a interpretá-las de forma enviesada, presta mais atenção às informações que reforçam a escolha inicial.
    • Isso reduz a objetividade e aumenta o risco de ignorar espécies ou traços importantes (...”odiar a pressa e ficar apaixonada pela forma”...)  que poderiam apontar para outras interpretações mais precisas.

 

  1. Falha em gerar hipóteses concorrentes
    • A ausência de uma observação do conjunto completo de alternativas limita a capacidade de comparação e avaliação crítica.
    • Sem procurar várias interpretações psicológica que podem ser utilizadas, o grafólogo fica preso a uma visão estreita da escrita, deixa de considerar outras (interpretações) que poderiam alterar significativamente a compreensão mais refinada a personalidade do escritor.

 

  1. Foco em evidências confirmatórias
    • Buscar apenas intepretações que gosta e que confirmem a preferência pela espécie ou gênero escolhido leva ao chamado confirmation bias.
    • Isto enfraquece o rigor analítico, pois o método científico exige justamente o contrário: tentar refutar hipóteses para testar sua robustez.
    • O resultado é uma análise menos confiável, que pode sustentar conclusões frágeis ou equivocadas.

 

Em resumo, essas três fraquezas tornam a análise grafológica mais vulnerável a erros sistemáticos, reduzem a capacidade de antecipar surpresas e comprometem a credibilidade das conclusões.

O desafio da grafóloga é resistir ao impulso de aceitar a interpretação que faz como “boa ou suficiente” e adotar práticas mais próximas do método científico, mesmo sob pressão de tempo.


Paulo Sergio de Camargo

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sexta-feira, março 20, 2026

GRAFOLOGIA. NÃO PRECISAMOS FAZER O LEVANTAMENTO COMPLETO.


 INTELIGÊNCIA GRAFOLÓGICA

Um dos dogmas da grafologia é aquele que o grafólogo tem que fazer o levantamento completo.

Errado.


IMERSÃO NOS GÊNEROS E ESPÉCIES

Grafólogos devem fazer uma imersão nos gêneros e espécies, a piori, sem tentar encaixá-los em nenhum padrão preconcebido.

Em algum momento, um padrão aparente que vai além daquilo que os gêneros e espécies mostram (ou resposta ou explicação) emerge espontaneamente, e então o grafólogo retorna ao início da observação dos nos gêneros e espécies para verificar quão bem eles sustentam esse julgamento.  

Esse conceito de DATA IMMERSION é muito usado em análise de inteligência e pesquisa qualitativa. A ideia é se deixar envolver pelo material sem forçar interpretações prematuras, permitindo que os insights surjam de forma mais natural. 

Obviamente, a grafóloga precisa ter uma base de conhecimento profundo dos gêneros e espécies com as quais trabalha. Ao lidar com uma nova e/o desconhecida escrita, a acumulação e revisão de informações de forma acrítica e relativamente não seletiva é um primeiro passo apropriado. Mas esse é um processo de ABSORÇÃO de informação, não de análise.

 

Pensar na análise dessa forma ignora o fato de que a informação não pode falar por si mesma. 

O significado da informação é sempre uma função conjunta da natureza da informação e do contexto em que ela é interpretada. O contexto é fornecido pelo analista na forma de um conjunto de pressupostos e expectativas sobre o comportamento humano e organizacional. Essas preconcepções são determinantes críticos de quais informações são consideradas relevantes e de como são interpretadas. 

(Este trecho ressalta uma ideia central da análise: os dados nunca são neutros, pois sua interpretação depende inevitavelmente das lentes conceituais e das hipóteses do analista. Em outras palavras, não existe “informação pura” sem contexto. O julgamento humano é parte inseparável do processo.)

 

ABSORÇÃO de informação, não de análise.

É claro que existem muitas circunstâncias em que a grafóloga não tem outra opção senão se imergir nos dados. 

Obviamente, a grafóloga precisa ter uma base de conhecimento com a qual trabalhar antes de iniciar a perfil grafológico. Ao lidar com uma nova escrita ou totalmente desconhecida, a acumulação e revisão de informações de forma acrítica e relativamente não seletiva é um primeiro passo apropriado. Mas esse é um processo de ABSORÇÃO de informação, não de análise

A análise começa quando a grafóloga conscientemente se insere no processo para selecionar, classificar e organizar as informações. Essa seleção e organização só podem ser realizadas de acordo com pressupostos e preconcepções conscientes ou subconscientes.

(Esse trecho diferencia bem ABSORÇÃO de dados (um estágio inicial, quase passivo) de análise propriamente dita (um processo ativo, guiado por hipóteses e julgamentos). Trata-se de uma distinção fundamental em metodologias de inteligência e pesquisa qualitativa.)

 

PRESSUPOSTOS E EXPECTATIVAS PRÉVIAS

A questão não é se os pressupostos e expectativas prévias influenciam a análise, mas apenas se essa influência é tornada explícita ou permanece implícita. A distinção parece ser importante.

Em pesquisas destinadas a determinar como médicos fazem diagnósticos, os médicos que participaram como sujeitos de teste foram convidados a descrever suas estratégias analíticas. Aqueles que enfatizaram a coleta minuciosa de dados como seu principal método analítico foram significativamente menos precisos em seus diagnósticos do que os que se descreveram como seguindo outras estratégias analíticas, como identificar e testar hipóteses.

Além disso, a coleta de dados adicionais por meio de maior rigor na anamnese e no exame físico não levou a uma maior precisão diagnóstica.

(Aqui, mostro como a simples acumulação de dados não garante melhor análise. O ponto central é que a interpretação depende de hipóteses e modelos mentais — e quando esses são explicitados e testados, a qualidade do julgamento tende a ser superior.)

 

O problema não é se pressupostos e expectativas influenciam a análise — isso é inevitável.

A questão é se essa INFLUÊNCIA É EXPLÍCITA (o grafólogo reconhece e declara suas hipóteses) ou implícita (ela atua de forma invisível, sem ser reconhecida).  

Pesquisas com médicos mostraram que aqueles que se concentravam apenas em coletar dados de forma exaustiva eram menos precisos em seus diagnósticos do que os que adotavam estratégias de formulação e teste de hipóteses.  

Esse raciocínio reforça que a análise grafológica, assim como qualquer forma de interpretação de dados, é uma construção de sentido. O analista precisa assumir conscientemente suas hipóteses, testá-las e estar disposto a revisá-las. Caso contrário, corre o risco de se perder em excesso de informação sem aumentar a precisão.

A análise começa quando a grafóloga conscientemente se insere no processo para selecionar, classificar e organizar as informações. Essa seleção e organização só podem ser realizadas de acordo com pressupostos e preconcepções conscientes ou subconscientes.   

CURIOSAMENTE, MAIS DADOS NÃO SIGNIFICAM MAIS PRECISÃO: mesmo uma anamnese e exame físico mais detalhados não aumentaram a taxa de acerto. 

Em outras palavras, o valor da análise grafológica não está na quantidade de informação, mas na forma como ela é organizada e interpretada. Isso reforça a ideia de que a análise é um processo ativo de construção de sentido, e não apenas de acumulação de dados.

  

Trazendo de forma mais específica para o campo da grafologia, o paralelo com a pesquisa médica é bem pertinente.

 Influência inevitável: pressupostos e expectativas sempre moldam a análise, seja de médicos ou grafólogos.

Explícito vs. implícito: quando o analista reconhece suas hipóteses, ele pode testá-las; quando não, elas atuam de forma invisível e podem distorcer o julgamento.

Mais dados ≠ mais precisão: tanto na medicina quanto na grafologia, acumular detalhes sem uma estratégia clara não garante melhores resultados.

Processo ativo: o valor está em como a informação é organizada e interpretada, não na quantidade bruta.


Análise grafológica é uma construção de sentido.

Esse raciocínio reforça que a análise grafológica, assim como qualquer forma de interpretação de dados, é uma construção de sentido. O analista precisa assumir conscientemente suas hipóteses, testá-las e estar disposto a revisá-las. Caso contrário o grafólogo, corre o risco de se perder em excesso de informação sem aumentar a precisão.



Baseada no obra: Psychology  of Intelligence Analysis, Richards J. Heuer, Jr. 1999.

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