quarta-feira, março 25, 2026

O Paradoxo da Informação: Quando Mais Dados Não Significam Mais Precisão.

 

Inteligência Grafológica


Na maioria das escritas, o problema central não é a escassez de dados (gêneros e espécie etc.), mas sim como os grafólogos pensam e interpretam os dados que já possuem.

Os estudos em psicologia experimental investigam não apenas o quanto de informação os analistas recebem, mas também como isso afeta a qualidade de suas conclusões e, principalmente, o nível de confiança que eles têm nessas conclusões. 

Principais conclusões das pesquisas

Uma vez que a grafóloga experiente possui a quantidade mínima de informação necessária para fazer uma avaliação consistente da escrita, nem sempre procurar informações adicionais geralmente não melhora a precisão da análise. Aqui, muitas vezes, o mais é menos.

Informações adicionais, no entanto, levam o grafólogo a se tornar mais confiante nas avalições, todavia, isto pode resultar até certo ponto no excesso de confiança. 

A experiência mencionada refere-se a um estudo clássico sobre tomada de decisão e julgamento, frequentemente citado pelo psicólogo e Nobel de Economia Daniel Kahneman em seu livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”. 

O objetivo do experimento era comparar a capacidade de previsão de especialistas humanos contra algoritmos simples.

Os avaliadores receberam dados reais (anônimos, de forma que cavalos e corridas específicas não pudessem ser identificados) referentes a 40 corridas passadas e foram convidados a classificar os cinco melhores cavalos em cada corrida na ordem de chegada esperada. Cada avaliador recebeu os dados em incrementos das 5, 10, 20 e 40 variáveis que havia considerado mais úteis. Assim, cada corrida foi prevista quatro vezes, uma vez com cada um dos quatro diferentes níveis de informação. Para cada previsão, cada avaliador atribuiu um valor de 0 a 100 por cento para indicar o grau de confiança na precisão de sua previsão. 

Descrição de alguns dos procedimento e os resultados:

·       O Cenário: Oito experientes avaliadores de cavalos (handicappers) receberam uma lista com 88 variáveis encontradas em um "gráfico de desempenho passado" (a "performance" do cavalo). 

·       A Tarefa: Eles tiveram que prever o resultado de várias corridas com base nessas 88 informações para cada cavalo.

·       O Procedimento: Primeiro, os especialistas classificaram as 88 variáveis e indicaram as mais importantes. Depois, foram apresentados a "gráficos de desempenho" de cavalos simulados (fictícios) para prever as probabilidades de vitória.

·       A "Pegadinha": Os pesquisadores forneceram aos especialistas as mesmas variáveis, mas com diferentes ordens de importância (ou informações menos relevantes primeira) para testar a consistência do julgamento.

 

Resultados:

·       Baixa Consistência: Quando os especialistas recebiam as mesmas informações em ordem diferente, eles davam previsões diferentes para o mesmo cavalo. A confiança deles era alta, mas a consistência era baixa.

·       Algoritmo Vence: Um algoritmo simples, que apenas ponderava algumas variáveis-chave (como o peso carregado ou a última corrida), foi mais preciso e consistente do que a maioria dos especialistas.

 

Conclusão: 

O estudo demonstrou que seres humanos têm dificuldade em processar muitas variáveis simultaneamente de forma consistente, muitas vezes focando demais em informações irrelevantes ou recentes, enquanto algoritmos mantêm o foco na média histórica. 

Esse experimento é usado para mostrar como especialistas acreditam que precisam de muitas variáveis para aumentar a precisão de seus julgamentos, mas na prática, mesmo com mais dados, a precisão não melhora significativamente, apenas a confiança aumenta. 

Isto é emblemático: mostra que mais informação não garante maior precisão, mas sim maior confiança subjetiva — muitas vezes injustificada. Trata-se um exemplo claro de como o excesso de dados pode levar ao excesso de confiança sem melhorar a qualidade da análise. 

Essa experiência serve para ilustrar que, em ambientes complexos e ruidosos (como apostas ou avaliações de alto nível), algoritmos simples geralmente superam especialistas humanos. 


 

Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal - Consciência Situacional

Canal YouTube - Inscreva-se gratuitamente

https://www.cegrafologia.com.br/

https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/

http://twitter.com/Grafonauta





A Lente do Grafólogo: Por que a Objetividade Total é um Mito?


A Lente do Grafólogo: Por que a Objetividade Total é um Mito?


Inteligência Grafológica

 

Nossa percepção não é apenas moldada por estímulos externos, mas também pelo contexto em que nos encontramos. Dependendo da situação, ativamos padrões distintos de expectativa, que influenciam diretamente o que conseguimos perceber e como interpretamos os dados.

Circunstâncias diferentes evocam conjuntos diferentes de expectativas.  

Esse trecho está inserido no Capítulo 2 do livro Psychology of Intelligence Analysis, que discute como a percepção humana é moldada por expectativas e padrões mentais. 

Assim:

Expectativas subconscientes

Grafólogos não observam a escrita de forma neutra, somos guiados por padrões de expectativa que lhes dizem, sem perceber, o que procurar, o que considerar relevante e como interpretar os dados.   

Mindset (estado mental)

Esses padrões formam uma espécie de “lente” ou “filtro” cognitivo. Assim como o óculos colorido altera a forma como vemos o mundo, o mindset influencia a maneira como o analista percebe e entende informações.   

Consequência prática

Isso significa que, mesmo diante de dados objetivos, a interpretação pode ser enviesada. A grafóloga tende a dar mais atenção ao que confirma suas expectativas e muitas vezes pode ignorar ou distorcer o que as contradiz.  

A percepção não é passiva

Não basta “ver” ou “ler” a escrita, porque o cérebro reconstrói a realidade com base em experiências anteriores, cultura e hábitos mentais. Por isto é essencial estar consciente desses filtros e aplicar métodos estruturados que obriguem o analista a considerar hipóteses alternativas. 

A percepção é inevitavelmente seletiva. O grafólogo necessita estar consciente de seus filtros mentais e trabalhar com métodos estruturados para reduzir o impacto das expectativas, mas, também tem que reconhecer que não pode eliminá-las totalmente. 

Nenhum, nenhum analista consegue ser totalmente “objetivo” ou livre de preconceitos. O ideal de manter a mente completamente aberta, influenciada apenas pelos fatos, é inatingível.

 

Conclusão

A Importância do Autoconhecimento Cognitivo para o Grafólogo

Compreender que a percepção não é um ato passivo, mas um processo de reconstrução mental, é o que separa o amador do perito consciente.

Para o grafólogo, dominar esses conceitos é vital por três razões principais:

·       Mitigação de Enviesamentos: Ao reconhecer que seu cérebro busca naturalmente confirmar hipóteses prévias (viés de confirmação), o analista pode se policiar ativamente, evitando conclusões precipitadas baseadas em impressões superficiais.

·       Rigor Metodológico: O entendimento de que a objetividade pura é inalcançável reforça a necessidade de utilizar métodos estruturados. Esses métodos funcionam como "freios" cognitivos, obrigando o profissional a considerar contraevidências e hipóteses alternativas.

·       Ética Profissional: Admitir a existência de filtros culturais e pessoais humaniza a análise e traz humildade técnica. O grafólogo que conhece suas próprias "lentes" entrega um diagnóstico muito mais preciso e honesto, pois sabe exatamente onde termina o dado gráfico e onde começa a sua interpretação.

Em suma, o estudo da psicologia da percepção permite que o grafólogo transforme sua subjetividade de um inimigo oculto em uma ferramenta monitorada e sob controle.




Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal - Consciência Situacional

Canal YouTube

Inscreva-se gratuitamente - https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.cegrafologia.com.br/

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/

http://twitter.com/Grafonauta





segunda-feira, março 23, 2026

Satisficing na Análise de Grafológica - Entre a Eficiência e o Risco 0 Parte II

 

Inteligência Grafológica




“Satisficing” 

Por experiência pessoal e na observação dos alunos, posso dizer que a maior parte das análises é conduzida de maneira muito semelhante ao modo "satisficing" (selecionar a primeira alternativa identificada que pareça “boa o suficiente”).

O grafólogo identifica aquilo que parece ser a intepretação mais provável do gênero ou espécie analisada. Esta avaliação inicial é a que parece ser a mais precisa e que provavelmente irá ser utilizada no perfil grafológico.

Os gênero ou espécie são observados e organizados de acordo de acordo com uma hierárquica de importâncias, inclusive na visualização das DOMINANTES.


A grafóloga cuidadosa fará então uma rápida revisão, retornando a todos as espécies encontradas na escrita. Certamente vai procurar aquelas possam ter sido deixadas de lado. Aqui há de se notar que muitos grafólogos são “apaixonados” por determinados gêneros e espécies, alguns rejeitam de imediato olhar àqueles que não gostam. Como disse uma aluna iniciante: “Odeio a pressão, mas ou apaixonada pela forma.”  Não preciso dizer que ela está errada, mas se faz necessário pontuar que isto é lugar comum para muitos grafólogos. (Não posso e nem devo declarar minhas intrínsecas preferências pelo MOVIMENTO.)

 

Todavia a abordagem “Satisficing  possui três grandes fraquezas:  

Ø  A percepção seletiva que resulta do foco em uma única hipótese.

Ø  A falha em gerar um conjunto completo de hipóteses concorrentes.

Ø  O foco em evidências que confirmam, em vez de refutar, hipóteses.


O “Satisficing” leva a atalhos cognitivos que podem comprometer a objetividade da análise grafológica.

Impacto das três fraquezas do satisficing na análise de inteligência

  1. Percepção seletiva
    • Quando o grafólogo foca em poucas espécies ou observações rasas, tende a interpretá-las de forma enviesada, presta mais atenção às informações que reforçam a escolha inicial.
    • Isso reduz a objetividade e aumenta o risco de ignorar espécies ou traços importantes (...”odiar a pressa e ficar apaixonada pela forma”...)  que poderiam apontar para outras interpretações mais precisas.

 

  1. Falha em gerar hipóteses concorrentes
    • A ausência de uma observação do conjunto completo de alternativas limita a capacidade de comparação e avaliação crítica.
    • Sem procurar várias interpretações psicológica que podem ser utilizadas, o grafólogo fica preso a uma visão estreita da escrita, deixa de considerar outras (interpretações) que poderiam alterar significativamente a compreensão mais refinada a personalidade do escritor.

 

  1. Foco em evidências confirmatórias
    • Buscar apenas intepretações que gosta e que confirmem a preferência pela espécie ou gênero escolhido leva ao chamado confirmation bias.
    • Isto enfraquece o rigor analítico, pois o método científico exige justamente o contrário: tentar refutar hipóteses para testar sua robustez.
    • O resultado é uma análise menos confiável, que pode sustentar conclusões frágeis ou equivocadas.

 

Em resumo, essas três fraquezas tornam a análise grafológica mais vulnerável a erros sistemáticos, reduzem a capacidade de antecipar surpresas e comprometem a credibilidade das conclusões.

O desafio da grafóloga é resistir ao impulso de aceitar a interpretação que faz como “boa ou suficiente” e adotar práticas mais próximas do método científico, mesmo sob pressão de tempo.


Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal - Consciência Situacional

Canal YouTube

Inscreva-se gratuitamente - https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.cegrafologia.com.br/

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/

http://twitter.com/Grafonauta




 

domingo, março 22, 2026

Satisficing na Análise de Grafológica - Entre a Eficiência e o Risco

Inteligência Grafológica 

Satisficing na Análise de Grafológica - Entre a Eficiência e o Risco

A técnica conhecida como Satisficing, termo cunhado por Herbert A. Simon, descreve a prática de escolher a primeira alternativa que parece “boa o suficiente”, em vez de buscar exaustivamente a melhor solução possível.

Muitas vezes, de forma inconsciente, no campo da análise grafológica, esta abordagem é por demais comum, pois os grafólogos trabalham sob forte pressão de tempo e precisam oferecer respostas rápidas as empresas. (tudo é para “ontem”)

Como funciona o Satisficing na Grafologia

  • Os espécies e gêneros e sinais são coletados e organizados.
  • A grafóloga depois de avaliar escolhe a interpretação que parece mais plausível.
  • Acha que ela se ajusta razoavelmente, assim aceita como explicação.
  • O grafólogo olha brevemente as alternativas, mas sem aprofundar todas as possibilidades.

 Vantagens

  • Rapidez: permite decisões ágeis em cenários de urgência.
  • Eficiência cognitiva: evita sobrecarga mental diante de grandes volumes de dados.
  • Praticidade: oferece uma solução funcional mesmo sem informações completas.

 Fraquezas

  • Percepção seletiva: foco excessivo em uma única hipótese.
  • Falta de alternativas: não gera um conjunto completo de hipóteses concorrentes.
  • Viés de confirmação: tendência a valorizar apenas evidências que sustentam a hipótese escolhida.


Importância para a Grafologia

Para o Grafólogo, conhecer o satisficing é crucial porque:

  • Ajuda a entender como decisões rápidas são tomadas em escritas mais complexas.
  • Permite identificar limitações cognitivas que podem comprometer julgamentos.
  • Orienta quando utilizar: em situações de tempo escasso ou quando a precisão absoluta nem sempre é essencial.

 

Conclusão

Dominar a técnica do Satisficing é mais do que compreender uma estratégia cognitiva: trata-se de reconhecer os limites da mente humana diante da pressão do tempo e da complexidade das informações. Para quem deseja se especializar em Grafologia, conhecer essa abordagem significa estar preparado para identificar quando uma decisão “boa o suficiente” é aceitável — e quando ela pode se tornar um risco estratégico.

O Grafólogo não rejeita o satisficing, mas o utiliza com consciência, sabendo equilibrar rapidez e precisão.

Esta habilidade se torna a diferença entre a resposta eficaz e o a interpretação errada que pode trazer consequências indesejáveis, não só para a empresa, mas também para o candidato.

A grafologia deve se profundar nos fundamentos da psicologia da decisão.  Cada técnica aprendida amplia as habilidades de enxergar além das aparências, interpretar sinais sutis e agir com clareza em meio à incerteza.

A mensagem final é clara: quem domina o satisficing e entende os limites não apenas analisa escritas, mas constrói visão mais focada delas. Esta visão que transforma e delimita o amador e o verdadeiro Grafólogo.

 

 Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal - Consciência Situacional 

Canal YouTube

Inscreva-se gratuitamente - https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.cegrafologia.com.br/

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/

http://twitter.com/Grafonauta

 

 

sexta-feira, março 20, 2026

GRAFOLOGIA. NÃO PRECISAMOS FAZER O LEVANTAMENTO COMPLETO.


 INTELIGÊNCIA GRAFOLÓGICA

Um dos dogmas da grafologia é aquele que o grafólogo tem que fazer o levantamento completo.

Errado.


IMERSÃO NOS GÊNEROS E ESPÉCIES

Grafólogos devem fazer uma imersão nos gêneros e espécies, a piori, sem tentar encaixá-los em nenhum padrão preconcebido.

Em algum momento, um padrão aparente que vai além daquilo que os gêneros e espécies mostram (ou resposta ou explicação) emerge espontaneamente, e então o grafólogo retorna ao início da observação dos nos gêneros e espécies para verificar quão bem eles sustentam esse julgamento.  

Esse conceito de DATA IMMERSION é muito usado em análise de inteligência e pesquisa qualitativa. A ideia é se deixar envolver pelo material sem forçar interpretações prematuras, permitindo que os insights surjam de forma mais natural. 

Obviamente, a grafóloga precisa ter uma base de conhecimento profundo dos gêneros e espécies com as quais trabalha. Ao lidar com uma nova e/o desconhecida escrita, a acumulação e revisão de informações de forma acrítica e relativamente não seletiva é um primeiro passo apropriado. Mas esse é um processo de ABSORÇÃO de informação, não de análise.

 

Pensar na análise dessa forma ignora o fato de que a informação não pode falar por si mesma. 

O significado da informação é sempre uma função conjunta da natureza da informação e do contexto em que ela é interpretada. O contexto é fornecido pelo analista na forma de um conjunto de pressupostos e expectativas sobre o comportamento humano e organizacional. Essas preconcepções são determinantes críticos de quais informações são consideradas relevantes e de como são interpretadas. 

(Este trecho ressalta uma ideia central da análise: os dados nunca são neutros, pois sua interpretação depende inevitavelmente das lentes conceituais e das hipóteses do analista. Em outras palavras, não existe “informação pura” sem contexto. O julgamento humano é parte inseparável do processo.)

 

ABSORÇÃO de informação, não de análise.

É claro que existem muitas circunstâncias em que a grafóloga não tem outra opção senão se imergir nos dados. 

Obviamente, a grafóloga precisa ter uma base de conhecimento com a qual trabalhar antes de iniciar a perfil grafológico. Ao lidar com uma nova escrita ou totalmente desconhecida, a acumulação e revisão de informações de forma acrítica e relativamente não seletiva é um primeiro passo apropriado. Mas esse é um processo de ABSORÇÃO de informação, não de análise

A análise começa quando a grafóloga conscientemente se insere no processo para selecionar, classificar e organizar as informações. Essa seleção e organização só podem ser realizadas de acordo com pressupostos e preconcepções conscientes ou subconscientes.

(Esse trecho diferencia bem ABSORÇÃO de dados (um estágio inicial, quase passivo) de análise propriamente dita (um processo ativo, guiado por hipóteses e julgamentos). Trata-se de uma distinção fundamental em metodologias de inteligência e pesquisa qualitativa.)

 

PRESSUPOSTOS E EXPECTATIVAS PRÉVIAS

A questão não é se os pressupostos e expectativas prévias influenciam a análise, mas apenas se essa influência é tornada explícita ou permanece implícita. A distinção parece ser importante.

Em pesquisas destinadas a determinar como médicos fazem diagnósticos, os médicos que participaram como sujeitos de teste foram convidados a descrever suas estratégias analíticas. Aqueles que enfatizaram a coleta minuciosa de dados como seu principal método analítico foram significativamente menos precisos em seus diagnósticos do que os que se descreveram como seguindo outras estratégias analíticas, como identificar e testar hipóteses.

Além disso, a coleta de dados adicionais por meio de maior rigor na anamnese e no exame físico não levou a uma maior precisão diagnóstica.

(Aqui, mostro como a simples acumulação de dados não garante melhor análise. O ponto central é que a interpretação depende de hipóteses e modelos mentais — e quando esses são explicitados e testados, a qualidade do julgamento tende a ser superior.)

 

O problema não é se pressupostos e expectativas influenciam a análise — isso é inevitável.

A questão é se essa INFLUÊNCIA É EXPLÍCITA (o grafólogo reconhece e declara suas hipóteses) ou implícita (ela atua de forma invisível, sem ser reconhecida).  

Pesquisas com médicos mostraram que aqueles que se concentravam apenas em coletar dados de forma exaustiva eram menos precisos em seus diagnósticos do que os que adotavam estratégias de formulação e teste de hipóteses.  

Esse raciocínio reforça que a análise grafológica, assim como qualquer forma de interpretação de dados, é uma construção de sentido. O analista precisa assumir conscientemente suas hipóteses, testá-las e estar disposto a revisá-las. Caso contrário, corre o risco de se perder em excesso de informação sem aumentar a precisão.

A análise começa quando a grafóloga conscientemente se insere no processo para selecionar, classificar e organizar as informações. Essa seleção e organização só podem ser realizadas de acordo com pressupostos e preconcepções conscientes ou subconscientes.   

CURIOSAMENTE, MAIS DADOS NÃO SIGNIFICAM MAIS PRECISÃO: mesmo uma anamnese e exame físico mais detalhados não aumentaram a taxa de acerto. 

Em outras palavras, o valor da análise grafológica não está na quantidade de informação, mas na forma como ela é organizada e interpretada. Isso reforça a ideia de que a análise é um processo ativo de construção de sentido, e não apenas de acumulação de dados.

  

Trazendo de forma mais específica para o campo da grafologia, o paralelo com a pesquisa médica é bem pertinente.

 Influência inevitável: pressupostos e expectativas sempre moldam a análise, seja de médicos ou grafólogos.

Explícito vs. implícito: quando o analista reconhece suas hipóteses, ele pode testá-las; quando não, elas atuam de forma invisível e podem distorcer o julgamento.

Mais dados ≠ mais precisão: tanto na medicina quanto na grafologia, acumular detalhes sem uma estratégia clara não garante melhores resultados.

Processo ativo: o valor está em como a informação é organizada e interpretada, não na quantidade bruta.


Análise grafológica é uma construção de sentido.

Esse raciocínio reforça que a análise grafológica, assim como qualquer forma de interpretação de dados, é uma construção de sentido. O analista precisa assumir conscientemente suas hipóteses, testá-las e estar disposto a revisá-las. Caso contrário o grafólogo, corre o risco de se perder em excesso de informação sem aumentar a precisão.



Baseada no obra: Psychology  of Intelligence Analysis, Richards J. Heuer, Jr. 1999.

CENTER for the STUDY of INTELLIGENCE Central Intelligence Agency


Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal- Consciência Situacional

Canal YouTube - Inscreva-se gratuitamente 

https://www.cegrafologia.com.br/

https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/

http://twitter.com/Grafonauta

https://go.hotmart.com/B104804129L




domingo, fevereiro 22, 2026

Grafologia - Direção das linhas. Escrita Boustrophedon.


Grafologia - Direção das  linhas. Escrita Boustrophedon.


O estilo de escrita boustrophedon (ou bustrofédon, do grego bous "boi" + strephein "virar") é uma forma antiga de escrita em que as linhas alternam de direção: uma linha é escrita da esquerda para a direita, e a linha seguinte, da direita para a esquerda, imitando o caminho de um boi arando um campo.

Detalhes sobre o estilo e interpretação:
O Que é Boustrophedon
  • Origem: Muito utilizado na Grécia Antiga e em textos etruscos (aprox. século VI a.C.) antes da padronização da escrita da esquerda para a direita.
  • Formato: O texto segue um padrão em ziguezague. Geralmente, quando a escrita inverte a direção, as letras também são escritas espelhadas (invertidas) para facilitar a leitura.
  • Eficiência: Desenvolvido para tornar a leitura mais eficiente em pedras, pois os olhos não precisavam "saltar" da direita de volta para a esquerda da linha seguinte, criando um movimento fluido.
Interpretação Psicológica e Cognitiva
A escrita boustrophedon reflete aspectos cognitivos e de psicomotricidade:
  1. Redução da Carga Cognitiva no Movimento Ocular: A interpretação psicológica principal é que este sistema visa reduzir a fadiga mental e visual. Ao eliminar a necessidade de retomar ao início da linha, o cérebro mantém o foco contínuo no texto.
  2. Processamento Simétrico (Ambidestria Cognitiva): Ler em boustrophedon exige que o cérebro processe caracteres invertidos e a direção alternada. Isso sugere uma maior flexibilidade cognitiva, pois o leitor precisa se adaptar à orientação das letras (a, a reversa) em linhas alternadas.
  3. Reflexo da Ação Motora (Psicomotricidade): A escrita imita um movimento físico natural e contínuo, semelhante à ação física de arar. Em termos psicológicos, reflete uma abordagem holística e cíclica da produção de texto, em vez da abordagem linear ocidental.
  4. Conexão Psicológica com o Esforço: Acredita-se que o abandono deste estilo ocorreu porque, embora fosse eficiente para leitura, tornava a escrita manual mais difícil, exigindo maior "trabalho" mental para alternar o espelhamento das letras.
  5. Em resumo, o boustrophedon é uma escrita "serpentina" que alterna a direção do pensamento e do olhar, interpretada como um método intuitivo de eficiência visual na antiguidade, mas cognitivamente trabalhoso para a escrita convencional.

Paulo Sergio de Camargo

Grafologia - Linguagem Corporal

0xx 11 99343 6988

 

Cursos de grafologia: grafonauta@terra.com.br

Canal YouTube

Inscreva-se gratuitamente

https://www.youtube.com/c/PauloSergiodeCamargo

https://www.instagram.com/lingcorporallideranca/

https://www.facebook.com/paulocamargolc/

http://grafonautas.blogspot.com/