sábado, junho 20, 2026

Burn On O sorriso que esconde a exaustão crônica no trabalho.

 

Burn On

O sorriso que esconde a exaustão crônica no trabalho.

Neste artigo foco o conceito de Burn On. Trata-se de uma forma crônica e mascarada de exaustão profissional. 

O que é Burn On?

    • Definição: O burn-on é uma condição de exaustão crônica ligada ao trabalho. Conhecido como o "primo" ou "irmão mais sutil" do burnout, a principal diferença é que, em vez de colapsar e parar totalmente, a pessoa continua trabalhando e produzindo, mesmo estando à beira do limite. O GLOBO
    • Criadores: Timo Schiele (psiquiatra) e Bert te Wildt (psicoterapeuta), autores do livro Burn On: Immer kurz vorm Burn Out (em tradução livre: Sempre à beira do Burn On).
    • Natureza: Considerado uma “depressão mascarada”, pois os sintomas são ocultados atrás de produtividade e engajamento contínuo.

 

Burn On sob a ótica da neurociência

Do ponto de vista neurocientífico, o Burn On está associado a hiperativação contínua do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável pela resposta ao estresse. Isso significa que o cérebro da pessoa permanece em estado de alerta constante, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina em níveis elevados e prolongados.

Diferente do burnout, em que há um colapso e queda abrupta da energia, no burn on o sistema nervoso mantém uma “falsa estabilidade”, funcionando como se estivesse sempre em modo de sobrevivência. Essa sobrecarga afeta áreas críticas como:

    • Amígdala: intensifica a percepção de ameaça e ansiedade.
    • Hipocampo: sofre redução funcional, prejudicando memória e aprendizado.
    • Córtex pré-frontal: perde eficiência, diminuindo a capacidade de tomada de decisão e criatividade.

O resultado é um cérebro que opera em “piloto automático”, assim o trabalhador sustenta a produtividade, mas de forma aparente. Isto corrói lentamente a saúde mental e física do profissional.

 

Principais características do Burn-On

    • Exaustão contínua: Diferente do burnout (onde a "chama" se apaga completamente e exige afastamento médico), no burn-on a pessoa continua "queimando" aos poucos.

·        Alta performance camuflada: A produtividade é mantida, porém carrega um enorme sofrimento interno e esgotamento emocional.  

·       Excesso de zelo: Muitas vezes é alimentado pelo senso exagerado de responsabilidade, medo de demissão ou dedicação extrema. Isto leva o profissional a não dar importância e/ou abandonar o descanso e o lazer.

 

Burnout x Burn On

Aspecto

Burnout

Burn On

Origem

Estresse ocupacional intenso e não gerenciado

Exaustão crônica ligada ao hiper engajamento

Sintomas

Exaustão extrema, afastamento do trabalho, perda de interesse

Continuidade no trabalho, sorriso aparente, vida pessoal negligenciada

Reconhecimento

Doença ocupacional pela OMS

Conceito recente, ainda pouco difundido

Impacto

Interrupção da atividade profissional

Manutenção da atividade, mas com sofrimento oculto

 

Impactos na saúde mental e rendimento

    • Produtividade aparente: O profissional segue entregando resultados, mas com queda na criatividade e na capacidade de inovação. (o preço da entrega é desconectado do esforço)
    • Saúde mental: Predomínio de sintomas depressivos, isolamento social e incapacidade de sentir prazer fora do trabalho.
    • Risco oculto: Por não se afastar, a pessoa acumula desgaste físico e emocional, aumentando chances de colapso futuro.

 

Linguagem corporal típica do Burn On

    • Sorriso constante, mas sem brilho nos olhos. Hipotonia facial.
    • Postura rígida, tensão muscular frequente. Ombros curvados.
    • Gestos automáticos e repetitivos, sem energia genuína.
    • Olhar fixo em tarefas, evitando contato social fora do ambiente profissional.

 

Autores e obras sobre o tema

    • Timo Schiele & Bert te WildtBurn On: Immer kurz vorm Burn Out (Alemanha). CNN Brasil
    • Arthur Guerra – psiquiatra brasileiro que discute burnout e burn on em artigos e entrevistas, destacando os impactos do estresse crônico no trabalho. Portal Drauzio Varella

 

Por que precisamos falar sobre isso?

O Burn On mostra que o cansaço extremo nem sempre vem acompanhado de uma pausa forçada. Às vezes, vem disfarçado de sucesso e resiliência. Identificar que a produtividade constante está custando a sua paz é o primeiro passo para buscar ajuda e equilibrar a rotina.

E você, já tinha ouvido falar nessa condição? Conhece alguém que vive "sempre à beira do limite", mas não para nunca? Deixe seu comentário aqui embaixo.

 

Conclusão

O Burn On é silencioso e devastador. Enquanto o burnout grita e paralisa, o burn on corrói em silêncio, mantém o profissional em atividade, mas drena sua vitalidade e felicidade. Reconhecer os sinais é urgente: não basta produzir, é preciso viver.

 

Paulo Sergio de Camargo

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quinta-feira, junho 18, 2026

Experimento Decoy. Sua Foto Conta uma História.

 

O que o Experimento ‘Decoy’ da Canon nos Ensina sobre Imagem e Percepção”

Converse com seu fotógrafo antes de postar fotos nas redes sociais.


Em 2015, a Canon Austrália, em parceria com o criativo The Lab, realizou um experimento fascinante chamado “Decoy”. O objetivo era simples: mostrar como a percepção e o viés influenciam diretamente a forma como vemos e retratamos alguém. O modelo, Michael, era um ator. Cada um dos 6 fotógrafos fotografou Michael em condições idênticas, mas, individualmente e sem saberem, receberam uma falsa biografia diferente sobre ele.

·       Milionário 

·       Ex-presidiário (Ex-convict)

·       Pescador (Fisheman)

·       Vidente ( Psychy)

·       Herói (Salva-vidas – Life Saver)

·       Alcoólatra em recuperação (Alcoholic)

Com base nessas narrativas, cada fotógrafo construiu sua própria interpretação visual. O resultado? Seis retratos completamente distintos da mesma pessoa.

 

Como o viés alterou drasticamente o olhar dos fotógrafos:

·      Milionário: Retratado de forma imponente, com roupas finas, olhar distante e postura de autoridade.

·      Ex-Presidiário (Ex-convict): O fotógrafo capturou um perfil mais sombrio, com sombras duras, iluminação lateral e uma expressão tensa.

·      Vidente ( Psychy): Foco em um retrato mais introspectivo e místico, com mãos no rosto e olhar penetrante.

·       Herói (Salva-vidas – Life Saver): Transmitiu coragem e nobreza, com um semblante seguro, iluminação suave e foco heroico.

·       Pescador (Fisheman): Um visual marcado por texturas rústicas, com o sujeito parecendo desgastado pelo tempo e pelo sol.

·       Alcoólico em Recuperação (Alcoholic): Fotografado com uma postura mais vulnerável, cansada e com pouca luz.

 

O impacto do viés

O experimento mostrou que não fotografamos apenas rostos, mas também histórias. O olhar do fotógrafo foi moldado pela narrativa que recebeu, e isso alterou drasticamente a forma como o homem foi retratado: com ar sombrio, com semblante inspirador, com traços de vulnerabilidade.

 

O que isso significa para você

Quando você vai tirar fotos para as redes sociais ou para sua marca pessoal, não basta apenas “sair bem na foto”. É essencial conversar com o fotógrafo e alinhar:

·       Qual imagem você deseja transmitir?

·       Que mensagem quer passar ao seu público?

·       Que valores ou emoções devem estar refletidos no retrato?

A fotografia é uma ferramenta poderosa de comunicação. Se não houver clareza sobre a narrativa, o risco é que a imagem transmita algo diferente do que você gostaria.

 

Conclusão 

O experimento “Decoy” nos lembra que a câmera não é neutra: ela carrega o olhar, o viés e a intenção de quem está por trás dela. 

Por isso, antes de posar, pergunte-se: 

“Que história quero que minha imagem conte?”

 

Veja no You Tube a experiência. São somente 3:16 seg. Vale a pena.

https://www.youtube.com/watch?v=F-TyPfYMDK8

THE LAB: DECOY | 6 Photographers 1 Man - A Portrait Photography Session With A Twist

 

Paulo Sergio de Camargo

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Sensemaking vs. Consciência Situacional. Você precisa conhecer estes conceitos.

 

Sensemaking vs. Consciência Situacional
Entendendo as Diferenças e Aplicações

 Consciência Situacional – 41

 


Neste artigo apresento as diferenças entre entre os conceitos de sensemaking e consciência situacional, com definições, autores, comparações e exemplos práticos.

Introdução

Em ambientes complexos e dinâmicos, como gestão de crises, segurança pública, aviação ou liderança organizacional, compreender o que está acontecendo é essencial. Dois conceitos fundamentais nesse processo são o sensemaking e a consciência situacional. Embora relacionados, eles têm abordagens distintas e complementares. Este artigo explora suas definições, principais diferenças, autores relevantes e exemplos práticos.


Definições Fundamentais

Sensemaking

O sensemaking é o processo cognitivo e social pelo qual indivíduos ou grupos constroem significado diante de situações ambíguas, inesperadas ou complexas. Em vez de buscar uma verdade objetiva, o foco está em criar uma interpretação plausível que permita agir.

·       Karl Weick (1995), um dos principais teóricos do conceito, define sensemaking como “dar sentido ao desconhecido para poder agir sobre ele”.

·       Dennis Gioia, outro autor relevante, contribuiu com estudos sobre como líderes constroem narrativas organizacionais para interpretar eventos.


Características principais: Sensemaking

·       Retrospectivo (baseado em eventos passados)

·       Social e interativo

·       Contínuo e dinâmico

·       Baseado em plausibilidade, não precisão


Consciência Situacional

A consciência situacional (CS) refere-se à capacidade de perceber, compreender e antecipar o que está acontecendo em um ambiente específico, geralmente em tempo real.

·       Desenvolvida nos anos 1980 no contexto militar e da aviação.

·       Popularizada por autores como Mica Endsley, que propôs um modelo de três níveis:

1.      Percepção dos elementos

2.      Compreensão do significado

3.      Projeção de estados futuros

 

Principais Diferenças

Aspecto

Sensemaking

Consciência Situacional

Foco

Construção de sentido

Percepção e antecipação de eventos

Temporalidade

Retrospectivo

Presente e futuro

Natureza

Interpretativa e social

Cognitiva e analítica

Aplicação típica

Ambiguidade, mudança organizacional

Operações táticas, decisões rápidas

Base de decisão

Narrativas e experiências

Dados e observações em tempo real

 

Vantagens para Especialistas em CS

O especialista em consciência situacional que compreende o sensemaking ganha:

·       Capacidade de adaptação: Ao entender como significados são construídos, pode ajustar sua percepção diante de mudanças inesperadas.

·       Tomada de decisão mais rica e pragmática: Integra dados objetivos com interpretações subjetivas, criando decisões mais contextualizadas.

·       Mitigação de erros: Reconhece quando está interpretando com viés ou quando falta informação crítica.


Exemplos Práticos

Exemplo 1: A tragédia de Limeira

O caso ilustra a aplicação do sensemaking , quando uma jovem foi jogada de uma ponte. Nesse contexto, o sensemaking pode ser aplicado ao processo de investigação e resposta: autoridades e comunidade precisam coletar informações fragmentadas (testemunhos, imagens de câmeras, relatos da vítima), dar sentido a elas e construir uma narrativa coerente para compreender o que aconteceu, identificar causas e responsabilidades, e orientar ações imediatas de segurança e prevenção

Exemplo 2: Crise em Segurança Pública

Durante um ataque coordenado em uma cidade, um comandante precisa agir rapidamente. A consciência situacional permite identificar o número de agressores, armas envolvidas e rotas de fuga. Já o sensemaking entra quando, após o evento, líderes interpretam o ocorrido para ajustar políticas e estratégias futuras.

Exemplo 2: Lançamento de Produto em Empresa

A equipe de marketing percebe que um novo produto não teve boa aceitação (consciência situacional). O sensemaking ocorre quando os líderes tentam entender por que isso aconteceu, talvez a comunicação não tenha sido clara, ou o público-alvo não foi bem definido.


Conclusão

Enquanto a consciência situacional oferece uma visão clara e imediata do que está acontecendo, o sensemaking permite compreender o significado por trás dos eventos. Juntos, esses conceitos fortalecem a capacidade de análise, decisão e liderança em ambientes complexos. Para especialistas em CS, dominar ambos é uma vantagem estratégica que amplia sua eficácia em qualquer cenário.

 

Paulo Sergio de Camargo

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