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quinta-feira, junho 18, 2026

Sensemaking vs. Consciência Situacional. Você precisa conhecer estes conceitos.

 

Sensemaking vs. Consciência Situacional
Entendendo as Diferenças e Aplicações

 Consciência Situacional – 41

 


Neste artigo apresento as diferenças entre entre os conceitos de sensemaking e consciência situacional, com definições, autores, comparações e exemplos práticos.

Introdução

Em ambientes complexos e dinâmicos, como gestão de crises, segurança pública, aviação ou liderança organizacional, compreender o que está acontecendo é essencial. Dois conceitos fundamentais nesse processo são o sensemaking e a consciência situacional. Embora relacionados, eles têm abordagens distintas e complementares. Este artigo explora suas definições, principais diferenças, autores relevantes e exemplos práticos.


Definições Fundamentais

Sensemaking

O sensemaking é o processo cognitivo e social pelo qual indivíduos ou grupos constroem significado diante de situações ambíguas, inesperadas ou complexas. Em vez de buscar uma verdade objetiva, o foco está em criar uma interpretação plausível que permita agir.

·       Karl Weick (1995), um dos principais teóricos do conceito, define sensemaking como “dar sentido ao desconhecido para poder agir sobre ele”.

·       Dennis Gioia, outro autor relevante, contribuiu com estudos sobre como líderes constroem narrativas organizacionais para interpretar eventos.


Características principais: Sensemaking

·       Retrospectivo (baseado em eventos passados)

·       Social e interativo

·       Contínuo e dinâmico

·       Baseado em plausibilidade, não precisão


Consciência Situacional

A consciência situacional (CS) refere-se à capacidade de perceber, compreender e antecipar o que está acontecendo em um ambiente específico, geralmente em tempo real.

·       Desenvolvida nos anos 1980 no contexto militar e da aviação.

·       Popularizada por autores como Mica Endsley, que propôs um modelo de três níveis:

1.      Percepção dos elementos

2.      Compreensão do significado

3.      Projeção de estados futuros

 

Principais Diferenças

Aspecto

Sensemaking

Consciência Situacional

Foco

Construção de sentido

Percepção e antecipação de eventos

Temporalidade

Retrospectivo

Presente e futuro

Natureza

Interpretativa e social

Cognitiva e analítica

Aplicação típica

Ambiguidade, mudança organizacional

Operações táticas, decisões rápidas

Base de decisão

Narrativas e experiências

Dados e observações em tempo real

 

Vantagens para Especialistas em CS

O especialista em consciência situacional que compreende o sensemaking ganha:

·       Capacidade de adaptação: Ao entender como significados são construídos, pode ajustar sua percepção diante de mudanças inesperadas.

·       Tomada de decisão mais rica e pragmática: Integra dados objetivos com interpretações subjetivas, criando decisões mais contextualizadas.

·       Mitigação de erros: Reconhece quando está interpretando com viés ou quando falta informação crítica.


Exemplos Práticos

Exemplo 1: A tragédia de Limeira

O caso ilustra a aplicação do sensemaking , quando uma jovem foi jogada de uma ponte. Nesse contexto, o sensemaking pode ser aplicado ao processo de investigação e resposta: autoridades e comunidade precisam coletar informações fragmentadas (testemunhos, imagens de câmeras, relatos da vítima), dar sentido a elas e construir uma narrativa coerente para compreender o que aconteceu, identificar causas e responsabilidades, e orientar ações imediatas de segurança e prevenção

Exemplo 2: Crise em Segurança Pública

Durante um ataque coordenado em uma cidade, um comandante precisa agir rapidamente. A consciência situacional permite identificar o número de agressores, armas envolvidas e rotas de fuga. Já o sensemaking entra quando, após o evento, líderes interpretam o ocorrido para ajustar políticas e estratégias futuras.

Exemplo 2: Lançamento de Produto em Empresa

A equipe de marketing percebe que um novo produto não teve boa aceitação (consciência situacional). O sensemaking ocorre quando os líderes tentam entender por que isso aconteceu, talvez a comunicação não tenha sido clara, ou o público-alvo não foi bem definido.


Conclusão

Enquanto a consciência situacional oferece uma visão clara e imediata do que está acontecendo, o sensemaking permite compreender o significado por trás dos eventos. Juntos, esses conceitos fortalecem a capacidade de análise, decisão e liderança em ambientes complexos. Para especialistas em CS, dominar ambos é uma vantagem estratégica que amplia sua eficácia em qualquer cenário.

 

Paulo Sergio de Camargo

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#situacionalawarness #consciênciasituacional #sensemaking #liderança #segurança


segunda-feira, junho 15, 2026

Consciência Situacional: O Caso Limeira e a Tragédia que Não Deveria Ter Acontecido.

 

Consciência Situacional

O Caso Limeira e a Tragédia que Não Deveria Ter Acontecido.

 

Consciência Situacional e o Caso de Limeira: Lições de um Erro Fatal

O trágico acidente em Limeira, que vitimou Maria Eduarda, de apenas 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, expõe de forma brutal a importância da consciência situacional em esportes de risco.

A jovem foi lançada sem estar presa à corda: uma falha grotesca de protocolos e, principalmente, de responsabilidade da equipe.  Trata-se, acima de tudo, de negligência criminosa. Esse episódio muda tudo: mostra como confiança cega em sistemas operados sem as devidas normas pode custar vidas.

 

O que é Consciência Situacional?

Segundo Mica Endsley, uma das maiores especialistas no tema, consciência situacional é a capacidade de perceber elementos do ambiente, compreender seu significado e projetar o que pode acontecer a seguir. Já Karl Weick, referência em estudos organizacionais, reforça que falhas em sistemas complexos geralmente não são fruto de um único erro (já publiquei a Teoria do Queijo Suíço, mas volto ao tema em breve), mas da soma de pequenas negligências que se acumulam até o desastre.

Aplicando esses conceitos ao caso de Limeira, podemos analisar três níveis fundamentais:

1. Percepção

O que a vítima poderia ter notado?
Em saltos de rope jump ou bungee, o protocolo internacional exige checagem dupla e verbal.

    • Checagem visual: olhar se o mosquetão está preso.
    • Checagem verbal: ouvir e confirmar comandos como “corda checada” e “mosquetão travado”.
    • Red flags: pressa, distrações, ausência de comandos claros.
    • O vídeo mostra que Maria foi arremessada rapidamente, sem tempo para validar nada. Como leiga, ela não tinha condições de checar. A responsabilidade é integral da empresa.

 

2. Compreensão

O que significa pular etapas?
Em esportes radicais, cada etapa existe porque vidas já foram perdidas em falhas anteriores.

    • Relatos apontam fuga dos instrutores pela mata.
    • Seis pessoas presas pela polícia.
    • Gritos de “a corda!” logo após o salto.
      Isso não é acidente: trata-se de negligência criminosa. Esquecer a corda em um salto de 40 metros equivale a esquecer de levar o paraquedas para o salto.

 

3. Projeção

Como evitar que aconteça com você? (Sugestão minha: não salte.)
Consciência situacional em esportes radicais significa priorizar de modo extremo a segurança:

    • Empresa: verifique CNPJ, seguro, certificação pela ABETA.
    • Equipamento: pergunte sobre carga de ruptura e inspeções.
    • Briefing: exija explicação dos comandos e repeti-los.
    • Seu direito: se sentir pressa ou bagunça, não salte.
      O erro sistêmico em Limeira é que rope jump não é regulamentado no Brasil, ao contrário do bungee. Qualquer um pode montar operação improvisada. A Ponte do Esqueleto, inclusive, é local proibido para esse tipo de prática.

 

Conclusão

Maria Eduarda confiou cegamente em um sistema que falhou de forma grotesca. Sua morte não foi fruto de azar, mas da ausência de protocolos básicos e da irresponsabilidade dos operadores. A lição é dura e triste: em esportes de risco, confiança cega mata. A consciência situacional deve ser aplicada como um “modo auditor” constante, sempre. Antes de saltar, seu cérebro precisa estar ligado porque depois que você pula, não há volta. (você não tem mais controle de nada).

 

Não fico feliz em escrever este tipo de artigo, pode parecer oportunista, mas o faço no sentido de mostrar a importância da Consciência Situacional em todas as atividades, desde as mais simples até as mais complexas.

  

 

Paulo Sergio de Camargo

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quarta-feira, maio 06, 2026

O Viés da Retrospectiva no Recrutamento e Seleção.

 

Eu Já Sabia Que Não Ia Dar Certo”

O Viés da Retrospectiva no Recrutamento e Seleção

 


Definição do Conceito

O viés da retrospectiva (hindsight bias) é uma distorção cognitiva que ocorre quando, após conhecer o resultado de um evento, acreditamos que ele era mais previsível do que realmente era. Em outras palavras, pensamos: “Eu já sabia que isso ia acontecer”, mesmo que nossas estimativas anteriores fossem diferentes. Esse viés reorganiza nossa memória e percepção, tornando os acontecimentos menos surpreendentes do que deveriam ser. 

Autores que discutem esse fenômeno incluem:

  • Richards J. Heuer Jr., em Psychology of Intelligence Analysis (1999), ao mostrar como analistas superestimam a previsibilidade de eventos passados.
  • Daniel Kahneman, em Thinking, Fast and Slow (2011), ao explicar como o sistema intuitivo da mente cria ilusões de previsibilidade e reduz a percepção de incerteza.

 

Aplicação ao Recrutamento e Seleção

O viés da retrospectiva aparece com força na forma como gestores de RH avaliam processos seletivos após conhecer os resultados:

Exemplo 1

O gerente de RH contrata um candidato para uma posição de liderança.

  • Antes da contratação: o candidato parecia adequado, com bom histórico e desempenho em entrevistas.
  • Depois de alguns meses, o candidato não se adapta e apresenta baixo desempenho.
  • Viés: o gerente pensa “Eu já sabia que ele não ia dar certo, estava claro nas respostas da entrevista”.
  • Problema: reorganização da memória para parecer que o insucesso era previsível, quando na verdade não era. 

Exemplo 2

O candidato inicialmente visto como “mediano” é contratado e se torna um destaque na equipe.

  • Antes da contratação: havia dúvidas sobre sua capacidade de liderança.
  • Depois do sucesso: comentários como “Eu sabia que ele tinha potencial, estava evidente na entrevista”.
  • Viés: superestimação da probabilidade atribuída ao bom desempenho, reconstruindo o passado para parecer coerente.

 

Quando o Viés Pode Ser Negativo

Esse viés pode ser prejudicial em processos de RH:

  • Exemplo: após uma contratação malsucedida, o gerente conclui que “já sabia” que o candidato não era adequado e passa a rejeitar automaticamente perfis semelhantes em futuras seleções.
  • Impacto: decisões precipitadas, perda de talentos e dificuldade em aprender com os erros de forma objetiva.

 

Conclusão

O viés da retrospectiva mostra que, tanto em análises de inteligência quanto em processos de recrutamento e seleção, nossa mente tende a reconstruir o passado para parecer mais previsível. Para especialistas em consciência situacional, compreender esse viés é fundamental:

  • Evita julgamentos distorcidos sobre candidatos.
  • Permite avaliar decisões com base no contexto original, não apenas nos resultados.
  • Favorece o aprendizado real, melhorando a qualidade dos processos seletivos.

 Em suma, reconhecer o viés da retrospectiva é essencial para qualquer profissional de RH que precise interpretar cenários incertos e tomar decisões estratégicas sobre pessoas.



Paulo Sergio de Camargo

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terça-feira, abril 28, 2026

A Ilusão do Saber: Quando a Certeza é Mais Perigosa que a Ignorância

 

A Ilusão do Saber

Quando a Certeza é Mais Perigosa que a Ignorância

 


Neste artigo foco o conceito da Ilusão do Saber. Trata-se de um fenômeno que nos afeta diariamente: acreditar que dominamos determinados conceitos, mas quando questionados, revelamos apenas fragmentos confusos ou respostas evasivas. Esse tipo de autoengano, estudado por diversos autores e cientistas, mostra como a confiança desproporcional pode ser mais perigosa do que a ignorância.

 

Introdução: Nos palcos das avenidas brasileiras.

Imagine uma cena comum: entrevistas de rua na Av. Paulista. O entrevistado usa determinado conceito para se defender ou acusar alguém.  A pessoa cita o termo com convicção, mas ao ser questionada sobre o que realmente significa, hesita, foge ou dá respostas desconexas. Esse é o retrato da ilusão do saber: acreditar que se sabe, quando na verdade não se sabe. A cena pode parecer engraçada, porém revela muito mais do que realmente parece. 

O Gorila Invisível

Os cientistas Christopher Chabris e Daniel Simons, em O Gorila Invisível – e outros equívocos da intuição, exploram seis ilusões que moldam nossa vida: atenção, memória, confiança, saber, causa e potencial. Eles demonstram que nossa mente cria falsas certezas e que essas ilusões podem levar a erros graves em decisões pessoais e coletivas.  

Outros autores sobre a ilusão do saber

  • Roni Riet: Em A Ilusão do Saber: Como o Efeito Dunning-Kruger Engana a Mente e Silencia a Verdade. O autor demonstra como pessoas incompetentes se sentem extremamente confiantes, enquanto os mais sábios hesitam. Esse paradoxo revela o perigo da ignorância assertiva.  
  • Daniel Boorstin: Historiador americano que afirmou: “O maior obstáculo para a descoberta não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”.  A reflexão ecoa até hoje como alerta contra a arrogância intelectual.  
  • Charles Darwin: “A ignorância gera mais confiança do que conhecimento”. Essa frase resume com precisão o cerne da ilusão do saber: quanto menos sabemos, mais acreditamos saber.

  

Evidências científicas

Dois artigos recentes reforçam o impacto da ilusão do saber:

  1. Science Advances (2022): mostrou que pessoas que se opõem ao consenso científico (como vacinas ou mudanças climáticas) têm baixo conhecimento objetivo, mas alta confiança subjetiva. Essa superconfiança gera resistência às evidências. 
  1. Nature Human Behaviour (2023): revelou que a superconfiança atinge o pico nos níveis intermediários de conhecimento. Ou seja, quem sabe “um pouco” tende a acreditar que sabe muito, tornando-se mais resistente ao aprendizado.

 

Como isso influencia nossas vidas

  • Decisões sociais: a ilusão do saber alimenta negacionismos e pseudociências, como visto durante a pandemia de COVID-19, quando crenças infundadas moldaram políticas públicas e comportamentos coletivos.  
  • Vida pessoal: ela nos leva a confiar em memórias falhas, subestimar riscos e superestimar nossas capacidades.  
  • Educação e ciência: cria barreiras para o pensamento crítico, já que admitir “não sei” é visto como fraqueza, quando na verdade é o primeiro passo para aprender.

 

Conclusão

A ilusão do saber é mais perigosa do que a ignorância, porque nos impede de buscar conhecimento verdadeiro. O desafio não é apenas informar, mas cultivar a humildade intelectual: reconhecer que não sabemos tudo. Só assim abrimos espaços para o aprendizado genuíno e evitamos que falsas certezas conduzam nossas escolhas. Afinal, o verdadeiro sábio não é aquele que proclama certezas, mas quem admite dúvidas e continua aprendendo.



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