sábado, abril 25, 2026

Jaraguá do Sul sob Ataque Falhas na Consciência Situacional - Hipóteses

 

Jaraguá do Sul sob Ataque

Falhas na Consciência Situacional - Hipóteses - SART


O ataque hacker em Jaraguá do Sul, conhecida como a “cidade dos bilionários”, resultou em um roubo de R$ 12 milhões das contas da prefeitura. Neste artigo mostro um exemplo muito atual de como a Consciência Situacional e as dimensões do SART podem ser aplicadas fora do ambiente militar
.


Técnica de Avaliação da Consciência Situacional (SART), desenvolvida por Taylor em 1990, é uma ferramenta prática e poderosa para medir o nível de consciência situacional de operadores em ambientes críticos. Ao transformar percepções subjetivas em dimensões avaliáveis, o método permite que especialistas em segurança de pessoal e patrimonial tenham uma visão clara sobre como os indivíduos lidam com situações complexas e dinâmicas.

Lembro que A Técnica de Avaliação de Consciência Situacional (SART - Situation Awareness Rating Technique) avalia a consciência situacional de modo subjetivo com base em três dimensões principais, geralmente avaliadas em uma escala de 1 a 7 (onde 1 é baixo e 7 é alto).


As Dez Dimensões da Consciência Situacional

O SART organiza a avaliação em dez dimensões fundamentais dividida em 3 fases:

1. 2. 3. Demandas de Recursos Atencionais (Demand) Avalia a carga sobre o operador, com valores mais altos indicando maior dificuldade.

4. 5. 6. 7. Suprimento de Recursos Atencionais (Supply) Avalia os recursos que o operador dedica à tarefa, com valores mais altos indicando mais esforço

8. 9. 10. Compreensão da Situação (Understanding) Avalia quão bem o operador entende o cenário atual, com valores mais altos indicando melhor entendimento

As Dez Dimensões

  1. Instabilidade da situação – rapidez com que a situação muda.
    Exemplo: em operações militares, mudanças súbitas no terreno ou na posição do inimigo.

  2. Complexidade da situação – número de fatores a serem monitorados.
    Exemplo: pilotos de avião precisam acompanhar instrumentos, tráfego aéreo e condições climáticas simultaneamente.

  3. Variabilidade da situação – número de eventos inesperados.
    Exemplo: controladores de tráfego aéreo lidando com panes técnicas ou emergências médicas a bordo.

  4. Estado de alerta – grau de preparo para reagir.
    Exemplo: equipes de segurança em grandes eventos esportivos, prontas para agir diante de tumultos.

  5. Concentração da atenção – quantidade de foco exigida pela tarefa.
    Exemplo: cirurgiões em procedimentos delicados, onde qualquer distração pode ser fatal.

  6. Divisão da atenção – quantas fontes de informação exigem atenção simultânea.
    Exemplo: motoristas de ônibus urbanos monitorando trânsito, passageiros e cronograma.

  7. Capacidade mental disponível – energia mental restante.
    Exemplo: bombeiros em operações prolongadas, avaliando se ainda têm recursos cognitivos para decisões rápidas.

  8. Quantidade de informação – volume de dados recebidos ou esperados.
    Exemplo: analistas de inteligência recebendo relatórios de múltiplas fontes em tempo real.

  9. Qualidade da informação – clareza e confiabilidade dos dados.
    Exemplo: equipes de resgate dependendo de comunicações precisas para localizar vítimas.

  10. Familiaridade com a situação – frequência com que já se vivenciou algo semelhante.
    Exemplo: pilotos experientes em rotas conhecidas versus novatos em trajetos inéditos.


Possíveis conexões do assalto com as Dimensões do SART - Hipótese

  1. Estado de Alerta: grau de preparo do operador para reagir. A prefeitura só percebeu o rombo após análise contábil, o que mostra que o nível de alerta contra ataques digitais estava insuficiente. Em segurança patrimonial e cibernética, manter vigilância contínua é essencial para reagir rapidamente.

Exemplo prático: ausência de sistemas de monitoramento em tempo real que poderiam ter disparado alertas automáticos sobre movimentações financeiras suspeitas.

Risco: quando o estado de alerta é insuficiente, a organização fica vulnerável a ataques silenciosos, demorando a reagir e aumentando o impacto financeiro e reputacional.

  1. Concentração da Atenção: quantidade de foco exigida pela tarefa. Gestores públicos muitas vezes concentram atenção em demandas administrativas e políticas, deixando a segurança digital em segundo plano. Servidores concentrados em rotinas burocráticas sem atenção às movimentações financeiras. Equipes de TI focadas em manutenção de sistemas, sem monitoramento ativo de ameaças. Esse caso evidencia como a falta de foco em sistemas críticos abre brechas para ataques.

Exemplo prático: servidores focados em rotinas burocráticas sem monitoramento constante de transações financeiras.

Risco : quando a concentração da atenção está voltada para outras áreas, a segurança crítica perde prioridade. Isso gera pontos cegos operacionais, aumentando a probabilidade de ataques bem-sucedidos e dificultando a reação rápida.

  1. Divisão da Atenção: número de tarefas ou fontes de informação que exigem atenção simultânea. A prefeitura precisa dividir atenção entre gestão de recursos, demandas sociais e segurança digital. Gestores dividindo atenção entre contratos, licitações e segurança financeira. Autoridades locais lidando simultaneamente com demandas políticas e operacionais. Quando a atenção é fragmentada, aumenta o risco de falhas. Equipes de TI sobrecarregadas com suporte técnico e manutenção.

Exemplo prático: equipes de TI sobrecarregadas com manutenção de sistemas e suporte, sem capacidade plena para monitorar ameaças em tempo real.

Risco: quando a atenção é excessivamente fragmentada, ocorre falha de coordenação e atraso na resposta. Isso abre espaço para ataques silenciosos, pois nenhum setor consegue dedicar atenção plena à segurança crítica.

  1. Quantidade de Informação: Volume de dados recebidos ou esperado. A prefeitura lida diariamente com grande quantidade de informações financeiras e administrativas.

Exemplos práticos: Alto volume de transações bancárias dificultando a detecção de movimentações suspeitas. Relatórios contábeis extensos que atrasam a identificação de fraudes. Dados de múltiplos sistemas sem integração eficiente.

Risco: excesso de dados sem filtros adequados gera sobrecarga e retarda a resposta.

  1. Qualidade da Informação: Clareza e confiabilidade dos dados. As informações financeiras não foram comunicadas de forma clara e tempestiva, dificultando a reação.

Exemplos práticos: Relatórios contábeis com atraso ou inconsistências. Falta de alertas automáticos sobre transações suspeitas. Comunicação interna pouco eficiente entre setores administrativos e técnicos.

Risco: baixa qualidade da informação compromete a tomada de decisão e aumenta a vulnerabilidade.


1. Familiaridade com a Situação: frequência com que uma situação semelhante já foi vivenciada anteriormente.

Exemplos práticos: Equipes administrativas sem experiência prévia em ataques digitais, demorando a identificar movimentações suspeitas. Gestores políticos pouco familiarizados com práticas de segurança cibernética, priorizando outras áreas em detrimento da proteção digital. Comunicação interna sem protocolos de crise, mostrando que a organização não estava habituada a lidar com incidentes desse tipo.

Risco : a falta de familiaridade aumenta a vulnerabilidade, pois operadores não reconhecem padrões de ataque e não possuem reflexos treinados para reagir. Isso prolonga o tempo de resposta e amplia os danos financeiros e reputacionais.


Implicações

Esse artigo visa mostrar que Consciência Situacional não é apenas militar: ela é vital para governos, empresas e cidadãos. Avaliar e se autoavaliar pelo SART ajuda a identificar vulnerabilidades cognitivas e operacionais, como baixa vigilância, foco insuficiente ou atenção dividida.

Nesta hipótese, mostramos que o ataque em Jaraguá do Sul apresenta falhas no estado de alerta, concentração da atenção, divisão da atenção, quantidade e qualidade da informação. Este cenário criou brechas exploradas pelos hackers. Para especialistas em segurança patrimonial e cibernética, aplicar o SART é essencial não apenas para avaliar equipes, mas também para autoavaliação, com isto vamos identificar vulnerabilidades cognitivas e operacionais antes que elas se transformem em perdas milionárias.

Resumindo: o roubo em Jaraguá do Sul reforça que segurança patrimonial e cibernética dependem de operadores preparados, atentos e capazes de dividir foco sem perder eficiência. O SART, criado por Robert M. Taylor (1990), continua sendo uma ferramenta prática para medir e fortalecer essa prontidão em qualquer contexto.


Paulo Sergio de Camargo

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sexta-feira, abril 24, 2026

Consciência Situacional e a série Uma Mente Excepcional (High Potential)

 

Consciência Situacional e a série Uma Mente Excepcional (High Potential)

A série Uma Mente Excepcional (High Potential), lançada pela Disney/ABC em 2024 e disponível no Disney+, apresenta a história de Morgan Gillory (interpretada por Kaitlin Olson), mãe solo com QI de 160 que trabalha como faxineira e acaba se tornando consultora da polícia de Los Angeles.

A capacidade de perceber padrões e reorganizar informações complexas é um exemplo dramatizado de consciência situacional, conceito estudado pela neurociência e aplicado em áreas como segurança, aviação e investigação criminal. 

A Personagem e o Parceiro

  • Morgan Gillory – Kaitlin Olson
  • Detetive Adam Karadec – Daniel Sunjata 

Morgan é retratada como alguém com inteligência excepcional, mas também com desafios pessoais, como equilibrar maternidade e vida profissional. A mente analítica e criativa contrasta com os métodos tradicionais da polícia, cria, desta forma, tensão e humor na narrativa.

 

Consciência Situacional na Neurociência

A consciência situacional envolve três níveis:

  1. Percepção de elementos relevantes no ambiente.
  2. Compreensão do significado dessas informações.
  3. Projeção de estados futuros com base nos dados percebidos. 

Do ponto de vista neurocientífico:

  • Córtex pré-frontal (planejamento e funções executivas).
  • Hipocampo (memória e navegação espacial).
  • Lobos parietais (integração sensorial). 

Indivíduos com altas habilidades cognitivas podem apresentar desempenho superior em algumas dessas funções, mas a série amplifica tais capacidades para criar uma narrativa envolvente.

 

Exemplos Reais de Mentes Excepcionais

Embora Morgan seja uma personagem fictícia, existem pessoas reais cujas habilidades cognitivas tiveram impacto em áreas de investigação e ciência:

  • Alan Turing (1912–1954): Matemático britânico que decifrou códigos nazistas da máquina Enigma durante a Segunda Guerra Mundial. A capacidade de identificar padrões complexos em cifras foi crucial para a vitória dos Aliados.
  • Temple Grandin (1947–): Professora e cientista norte-americana com autismo, conhecida pela habilidade em visualizar sistemas complexos e criar projetos inovadores para o manejo de animais.
  • Barbara McClintock (1902–1992): Geneticista que descobriu os “genes saltadores” (transposons). A percepção de padrões genéticos revolucionou a biologia.
  • John Forbes Nash Jr. (1928–2015): Matemático que desenvolveu a teoria dos jogos, aplicável em economia e negociações estratégicas. A mente analítica influenciou áreas práticas de tomada de decisão. 

Estes exemplos mostram que a combinação de inteligência, criatividade e consciência situacional pode gerar avanços significativos em diferentes campos.  

Conclusão

Uma Mente Excepcional dramatiza como mentes brilhantes transformam a resolução de crimes em algo extraordinário. Embora a série exagere determinadas habilidades, ela se inspira em processos cognitivos reais estudados pela neurociência. A história de Morgan dialoga com exemplos históricos e contemporâneos de pessoas que, graças às suas altas habilidades cognitivas, mudaram o rumo da ciência, da investigação e da sociedade. 

 

O mais importante:

Mentes menos dotadas podem, por meio de treinamentos e vivências, atingir resultados surpreendentes neste campo.



Paulo Sergio de Camargo

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quinta-feira, abril 16, 2026

A escrita convolvoli na Escola Italiana de Grafologia

 

A escrita convolvoli 


No Dizionario Grafologico Morettiano, editado pelo Instituto Grafológico Moretti da Universidade de Urbino, Nazareno Palaferri interpreta a escrita “convolvoli” como um traço gráfico sinuoso, enrolado e ornamental, que revela uma personalidade voltada à imaginação, fantasia e sensibilidade, mas também com risco de dispersão e falta de objetividade.

Para Moretti, convolvoli é um termo genérico para qualquer movimento de traços que tende a formar espirais, incluindo formas espirais.

  

Interpretação da escrita convolvoli

Definição: “Convolvoli” (do italiano convolvoli, plantas trepadeiras) é usada metaforicamente para indicar uma escrita que se enrosca, se enrola e se ornamenta excessivamente. 


Características gráficas gerais:

·       Linhas curvas e sinuosas.

·       Traços que se entrelaçam ou se prolongam em arabescos.

·       Forte componente estético ou decorativo.

 

Interpretação grafológica:

·       Imaginação e fantasia: Escrita criativa, voltada ao estético, com tendência a idealizar.

·       Sensibilidade emocional: Indica delicadeza e receptividade.

·       Dispersão e falta de objetividade: O excesso de ornamento pode sugerir dificuldade em manter foco ou praticidade.

·       Necessidade de expressão: O escritor busca transmitir ou singularidade por meio da forma da escrita.

 

               Contexto dentro da escola morettiana

·       O Dizionario Grafologico Morettiano sistematiza os “indici grafologici” de padre Moretti, ampliados por Palaferri.

·       Cada índice (como o “convolvoli”) é visto como um sinal parcial, que deve ser interpretado em conjunto com outros traços da escrita.

·       Palaferri reforça que nenhum traço isolado define a personalidade; é a combinação que revela tendências dominantes.

 

        Existem três tipos básicos de convolvoli  (Palaferri)

Tipo I - Convolvoli em guirlanda. Movimento progressivo-regressivo produz laços.

Vivacidade - afabilidade; caráter afável que precisa de integração; "savoir-faire" - habilidade para um tipo de adaptação que cria simpatia e provoca cortejo.

Caráter afável, mas sem energia; vivacidade pouco diferenciada - falta de garra e do nível certo de agressividade; adaptação afável, mas insincera, que busca atingir objetivos sem conflito e em benefício próprio; habilidade para usar de astúcia afável para obter uma resposta; tipos efeminados (em grafias masculinas) - busca narcisista de gratificação, amabilidade desconfiada.

 

Tipo II – Ovais literais (a, o e derivados, como q, g etc.) que começam e terminam com um laço duplo ou anel. Quando o fenômeno é acentuado com gestos e curvas complexas, Moretti o vê como um "estilo de escrita que demonstra sua capacidade de enganar com charme e coqueteria". Corresponde também à Jointoyée de Crépieux-Jamin.

Este tipo inclui os signos Flexível, Encaracolado e Autoconfiante, portanto, suas indicações são:

Desconfiança e controle dos próprios sentimentos - cautela e cautela matizadas de amabilidade, capacidade de silenciar - vivacidade que combina amabilidade e desconfiança - capacidade de evitar o que causa desconforto aos outros.

Negativamente: falta de lealdade completa que sempre esconde algo de si mesmo - "savoir-faire" amável e insincero - capacidade de induzir os outros a terem uma concepção e interpretação incompletas da própria personalidade - capacidade de brincar com as emoções - capacidade de usar truques para ganhar amor e buscar habilidade em evasão, em escapar, em não expressar julgamentos claros e responsáveis ​​- uma pessoa que sabe como esconder seus sentimentos quando não quer ser penetrada - uma pessoa desconfiada que nunca se guia por muita confiança nos outros, o que, portanto, leva facilmente à mentira - uma pessoa que sabe como dar crédito - prudência não isenta de subterfúgios. Trepadeira de terceira espécie

 

Tipo III - Características que parecem com volutas, pois o traço inicial, antes de começar a letra, move-se para a direita e depois retorna para a esquerda, após descrever laços triangulares ou curvas. Este tipo pode ser encontrado em qualquer letra, mas a que se presta mais facilmente é o "c" minúsculo.

O grau dos três tipos de depende da porcentagem de letras que, devido à sua natureza estrutural, apresentam sua presença.

Polidez direta, insincera e complexa que incomoda e causa medo de armadilhas - uma pessoa afetada por complexidade psicológica e mental. Preocupação e complexidade nos relacionamentos. Dificuldade em definir e discriminar o pensamento — motivos ocultos por trás de cada manifestação, a necessidade de alcançar astutamente certos objetivos.

 

O assunto é amplo; Torbidoni fala em dois signos distintos de enrolamentos:

 – Embolada –, it.; aggrovigliata - esp.; embrollada - fr.; enchevêtrée – ing.;entangled – al.; verkäkelte zeileu.

 - Encaracolada – it.; accartocciata - esp.; Enrolladas  - fr.; enroulée – Ing.; enrolled, spiralled – al.; eingerollt. 


 









 Paulo Sergio de Camargo

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sexta-feira, abril 10, 2026

Vieses na Avaliação Grafológica - Erros mais comuns.

 

Vieses na Avaliação Grafológica

 
 

A avaliação das espécies e dos gêneros é uma etapa crucial na análise grafologia, mas as evidências nas quais os grafólogos confiam e a forma como as interpretam são influenciadas por diversos fatores externos.

Dificilmente uma grafóloga trabalha somente com a escrita. Alguns grafólogos argentinos, por exemplo, fazem análises somente se estiverem presentes na coleta da escrita. (desmontei isto um simples argumento: se o objeto da grafologia é a escrita, necessariamente não precisamos de escritor presente.)

Informações apresentadas nos currículos frequentemente têm um impacto indevido, tanto para mais ou para menos.

Nos contatos pessoais, nas entrevistas muitas vezes formamos de imediato uma imagem do candidato. Esta percepção pode estar errada e quando o grafólogo observa a escrita, a surpresa é grande. Qual dos dois estaria mais certo, a percepção ou a grafologia?


Outro dado que considero relevante: muitas vezes não damos importância capital a ausência de evidências. Ao avaliar lideranças a ausência de evidência deve ser o foco principal da análise. Caso não apareçam gêneros, espécies e sinais ligados a liderança, provavelmente ela não existe. 

Em suma: A grafóloga procura o que não existe para ver se existe, ou vice-versa se você desejar. 

A mente humana é sensível à consistência das evidências e insuficientemente sensível à sua confiabilidade. Finalmente, impressões muitas vezes permanecem mesmo depois que as evidências em que se baseavam foram totalmente desacreditadas. Muitos grafólogos acreditam mais nos currículos do que na escrita. 

Reconhecer e evitar vieses nessas circunstâncias é particularmente difícil. 

A maioria dos vieses discutidos neste texto não está relacionada entre si, pois os vieses cognitivos podem surgir de formas diferentes e independentes, mas todos afetam a maneira como interpretamos e julgamos a escrita.

 

Os principais vieses na avaliação de gêneros e espécies 

  • Impacto indevido das vivências

Detalhes concretos, entrevista, currículos tendem a influenciar mais do que dados grafológicos, mesmo quando estes últimos têm maior valor probatório. 

  • Desconsiderar a ausência de evidência

Muitas vezes não levamos em conta o que não foi observado ou relatado, embora isso possa ser tão significativo quanto a presença de dados.  

  • Sensibilidade excessiva à consistência

A mente humana valoriza demais quando diferentes fontes parecem concordar, mesmo que todas sejam pouco confiáveis. 

  • Sensibilidade insuficiente à confiabilidade

O peso dado às evidências costuma depender mais da coerência interna do que da qualidade ou credibilidade da fonte. 

  • Persistência de impressões

Mesmo quando uma evidência é totalmente desacreditada, a impressão inicial que ela causou tende a permanecer.

 

            Nos próximos artigos estudaremos cada um deles individualmente.


Os principais vieses na avaliação de gêneros e espécies aqui descritos são baseados no livro Psychology of Intelligence Analysis.Richards J. Heuer.


Paulo Sergio de Camargo

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terça-feira, março 31, 2026

As Mentiras Mais Famosas do 1º de abril: Da Árvore de Espaguete ao Jogo Fantasma.

 “Minto muito mais do que o necessário e muito menos do que preciso.” Camargo 

 

O Dia da Mentira surgiu na Europa no século XVI. A origem se deve à mudança do calendário gregoriano e à troca da data do Ano Novo. No Brasil, a tradição ganhou força com base um uma notícia publicada em 1848. Aos poucos a tradição está desaparecendo, quem sabe por que, atualmente,” todo dia é dia de mentira”.

 

Origem do Dia da Mentira

·       Europa, século XVI: Em 1564, o rei Carlos IX da França decretou que o Ano Novo passaria a ser celebrado em 1º de janeiro, em vez de 1º de abril. Muitas pessoas continuaram a comemorar em abril, sendo chamadas de “bobos de abril” e alvo de trotes e brincadeiras. Essa prática se espalhou pela Europa, especialmente na Inglaterra, França e Itália.

·       No Brasil: A data passou a ser conhecida em 1848, quando o jornal A Mentira, do Rio de Janeiro, publicou uma notícia falsa sobre a morte do Imperador Dom Pedro II. A repercussão foi tão grande que o 1º de abril passou a ser associado à mentira no país .

 

 Nomes e Tradições pelo Mundo

·       Inglaterra/EUA: “April Fool’s Day”. Dia dos bobos de abril.

·       França/Itália: “Poisson d’Avril” ou “Pesce d’Aprile”. Crianças colam peixinhos de papel nas costas dos amigos.

·       Brasil: Brincadeiras, notícias falsas e pegadinhas, especialmente em jornais e redes sociais.

 

Mentiras famosas

1. A colheita de espaguete (BBC, 1957) - “April Fool’s Day”

A BBC exibiu uma reportagem mostrando famílias suíças colhendo espaguete em árvores.

Muitos telespectadores acreditaram na notícia e ligaram para a emissora perguntando como poderiam cultivar sua própria “árvore de macarrão”. Considerada uma das mais icônicas da história do jornalismo.

 

2. O jogo que nunca existiu - Brasil

1º de abril de 1951: o dia em que a Jovem Pan “mentiu” para os tricolores.

Naquele domingo, às 12h30, os ouvintes da Pan puderam acompanhar com Geraldo José de Almeida, a goleada do time italiano para cima do São Paulo: 8 a 1. A transmissão foi feita da garagem de Paulo Machado de Carvalho Filho, dias antes de o narrador embarcar com o São Paulo para a Europa na real excursão.

 

Reflexões: A Mentira e o Ser Humano

Todos nós mentimos. De um jeito ou de outro, mentimos. A mentira é um comportamento humano milenar, presente em todas as culturas. No meu livro “Não minta pra mim”.  A psicologia da mentira e Linguagem Corporal. Ed. Summus, exploro como a mentira se manifesta nas relações sociais, políticas e pessoais, e como ela pode ser identificada. O Dia da Mentira, além de ser uma data de diversão, é também uma oportunidade para refletirmos sobre:

·         O impacto das fake news na sociedade.

·         A importância da verdade nas relações humanas.

·         O papel da mentira como ferramenta de manipulação ou defesa.

 

Conclusão

O Dia da Mentira não é apenas uma data de brincadeiras, mas o reflexo histórico e cultural sobre como a humanidade lida com a verdade e a falsidade. Ao mesmo tempo em que diverte, ele nos lembra da necessidade de vigilância diante das informações que recebemos e compartilhamos.


Paulo Sergio de Camargo

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