Existem pessoas multitarefas? "Até existem, só que não."
Multitarefa
é a prática de tentar realizar várias atividades simultaneamente. Embora pareça
eficiente, na realidade o cérebro humano não consegue processar várias tarefas
complexas ao mesmo tempo. O que ocorre é a rápida alternância entre tarefas,
que dá a ilusão de simultaneidade, mas cobra um preço alto em termos de energia
mental e produtividade. "Ser multitarefa" é na verdade um autoengano.
Estudos,
como os realizados pela Universidade de Stanford, apontam que cerca de 2,5% da
população é considerada "supermultitarefas". Estas pessoas possuem a
capacidade natural de gerenciar e alternar o foco entre múltiplas demandas
cognitivas complexas quase sem perder a eficiência, embora ainda não façam isso
de forma simultânea.
Pesquisadores
e obras de referência
Dois
estudiosos que se destacam nesse tema são:
·
John Sweller, criador da Teoria da Carga Cognitiva, que explica
como o excesso de informações prejudica o desempenho mental.
·
Daniel Kahneman, autor de Thinking, Fast and Slow, que
mostra como nossa atenção é limitada e facilmente desviada.
Essas obras
reforçam que multitarefa não é uma habilidade humana natural, mas sim uma fonte
de sobrecarga cognitiva.
O que acontece no cérebro do ponto de vista da neurociência:
·
Cada troca de tarefa consome glicose oxigenada, o combustível
essencial do cérebro.
·
Processamento Sequencial: Em estudos, na Universidade de Stanford,
pesquisadores descobriram que o cérebro processa atividades em sequência (uma
após a outra).
·
O Custo da Alternância: Cada vez que o cérebro muda de tarefa, ele
sofre um "custo de mudança", o que aumenta a taxa de erros, causa
cansaço mental e diminui drasticamente a produtividade.
·
A alternância constante ativa o córtex pré-frontal, responsável
pela tomada de decisão, e desencadeia a liberação de cortisol, o hormônio do
estresse.
·
Impacto hormonal: A rápida alternância entre tarefas e o fluxo
constante de informações desencadeiam a liberação de hormônios do estresse e da
ansiedade (como o cortisol) no cérebro, resultando em confusão mental e
exaustão mental.
Desvantagens
da multitarefa
·
Redução da produtividade em até 30%.
·
Maior propensão a erros.
·
Exaustão mental e emocional.
·
Dificuldade em manter foco profundo e criativo.
Exemplo prático (e negativo) de multitarefa no dia a dia
Reunião e e-mails simultâneos: O profissional durante uma reunião online tenta responder e-mails. O cérebro alterna rapidamente entre ouvir, interpretar informações e redigir mensagens. O resultado é o pior possível: Além da falta de tato e educação profissional, ocorre a perda de detalhes importantes da reunião, erros de digitação e necessidade de reler os e-mails depois para corrigir falhas.
Estratégias
práticas para manter o foco
·
Organize informações em lotes: defina horários fixos para checar
e-mails e mensagens.
·
Técnica Pomodoro: 25 minutos de foco intenso em uma única tarefa,
seguidos de 5 minutos de pausa.
·
Controle notificações: silencie alertas não essenciais.
·
Matriz de Eisenhower: priorize tarefas e elimine as não
importantes.
Conclusão
Multitarefa é
uma armadilha. Profissionais que insistem em dividir a atenção entre várias
tarefas estão, na verdade, sabotando sua própria performance. O verdadeiro
diferencial competitivo está em foco profundo e atenção plena. Em um mundo
saturado de informações, quem domina a arte da concentração se torna mais
produtivo, criativo e resiliente.
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Um comentário:
Excelente tópico, professor. Quando falo nas limitações naturais do 'multitarefa', alguns não entendem ou tem dificuldade de aceitar. Nosso fantástico cérebro, com suas capacidades inclusive para priorizar energia.
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